Laboratório de Performance: uma experiência na Universidade

Imagem em destaque: experiência de aula na PUC Campinas, 2014.

(Luana Marchiori Veiga)

Artigo publicado nos Anais do 25 Encontro Nacional ANPAP, 2016.

RESUMO: O trabalho apresenta o relato do desenvolvimento de um laboratório de arte de ação realizado em uma disciplina do curso de graduação em Artes Visuais, baseando sua atividade no conceito, emprestado de Helio Oiticica, de experimentar o experimental. As noções de experiência intensa, site-specificity e intermídia são as chaves conceituais que basearam as ações no laboratório. São descritos também os métodos utilizados para a produção de conhecimento em performance a partir das experiências livres realizadas pelos estudantes.

PALAVRAS-CHAVE: Performance; Arte de Ação; Experiência Intensa; Site-specificity; Intermídia.

INTRODUÇÃO

Laboratório de Performance: experimentar o experimental

Durante os anos de 2012 a 2014 enfrentei o desafio de ministrar a disciplina de Performance no curso de Artes Visuais da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. O desafio estava em ensinar uma forma de arte que surge desde o princípio tendo o experimentalismo como força motriz, que nasce como transgressão, como potencia de invenção que recusa as formas convencionais ou a sua sistematização. É evidente que o próprio fato de, atualmente, estar a ser ensinada na Universidade é sintoma de sua institucionalização, ainda assim o desafio permanecia: como ensinar uma forma de arte que é anti-instituição, na instituição, tentando não institucionalizá-la. A resposta para tal desafio foi tentar estruturar o curso menos como uma sequência de conteúdos ou técnicas, mas como um verdadeiro Laboratório de Arte de Ação.

A ideia de um Laboratório de Arte de Ação pressupunha um caráter essencialmente experimental, a criação de um ambiente seguro no qual os estudantes pudessem experimentar esse campo artístico, sem a preocupação com modelos de resultados a serem alcançados. Como disciplina obrigatória a ser cumprida por todos, desde os desenhistas até os futuros arte-educadores, o meu principal objetivo era proporcionar a compreensão da arte como experiência intensa e das modulações de presença e concentração, que podem ser experimentadas por meio da arte de ação mas também existem e são desejáveis em toda produção artística. Partindo do pressuposto da existência de um corpo, de alguém realizando materialmente ou virtualmente, não nos detivemos no tema do corpo como suporte ou meio, pois seria um objeto de estudo em si que poderia levar à outros tipos de produção, inclusive objetuais. O recorte se dava, portanto, na arte não objetual baseada na ação, tratando o corpo como um dado pressuposto. Compreendendo o laboratório como um lugar onde experiências são realizadas, e nesse caso específico experiências em arte experimental, adotamos como princípio de ação a conhecida declaração de Hélio Oiticica: experimentar o experimental.

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